As Primeiras Alianças da História e Seu Significado

16/01/2026

Papiro Egito


Os primeiros registros históricos da troca de alianças remontam ao Antigo Egito, há cerca de 3 mil anos.

Papiros e evidências arqueológicas mostram que os egípcios confeccionavam anéis com fibras vegetais trançadas, cânhamo, junco, couro e marfim. Essas peças simbolizavam a união eterna entre duas pessoas.

O círculo possuía um significado profundamente espiritual: representava a eternidade, a continuidade da vida e a ausência de começo ou fim. Já o espaço vazio no centro do anel simbolizava o futuro — ainda desconhecido, mas compartilhado pelo casal.

Além do simbolismo afetivo, os materiais utilizados também demonstravam posição social e valor emocional. Quanto mais raro ou precioso o material, maior era a importância atribuída ao vínculo.



A tradição romana e o nascimento da aliança moderna

Foi na Roma Antiga que surgiu uma das tradições que permanece até hoje: o uso de alianças metálicas como símbolo oficial de compromisso.

Os romanos utilizavam inicialmente anéis de ferro, metal associado à força, estabilidade e permanência. Com o tempo, materiais mais nobres passaram a ser incorporados, dando origem ao uso de metais preciosos nas alianças contemporâneas.

Também foi entre gregos e romanos que se consolidou o costume de usar o anel no quarto dedo da mão esquerda. Acreditava-se que esse dedo possuía a vena amoris — a “veia do amor” — conectada diretamente ao coração.

Embora essa crença não tenha fundamento anatômico, o simbolismo permaneceu vivo ao longo dos séculos e ajudou a transformar a aliança em um gesto profundamente emocional.



O Renascimento e as alianças como expressão artística

Durante os séculos XVI e XVII, as alianças passaram a ganhar riqueza estética e significado ainda mais sofisticado.

Um dos modelos mais emblemáticos desse período foram os anéis Gimmel, compostos por duas partes encaixáveis. Durante o noivado, cada pessoa usava uma metade da peça. No casamento, os anéis eram unidos novamente, simbolizando a formação de uma única vida compartilhada.


Anéis Gimmel


No Renascimento, também surgiram alianças ornamentadas com inscrições poéticas, detalhes em prata e gravações sentimentais. A joia deixou de ser apenas um símbolo social e tornou-se também uma expressão artística e afetiva.

Diversas culturas ao redor do mundo desenvolveram seus próprios símbolos de união, aqui no Brasil, temos o costume de usamos as alianças de casamento na mão esquerda.



Livros e obras de referência

  • Jewellery Through the Ages — referência importante sobre evolução histórica da joalheria ocidental.
  • Understanding Jewelry — contextualiza períodos históricos e estilos de joias.
  • A History of Jewellery 1100–1870 — clássico acadêmico sobre joalheria europeia medieval e aristocrática.
  • The History of Beads — auxilia na compreensão das primeiras formas de adornos simbólicos.
  • Cartier: The Tank Watch e publicações históricas da  Cartier.